No Brasil, cerca de 4 milhões de pessoas que menstruam enfrentam dificuldades para acessar itens básicos de higiene nas escolas, segundo relatório de 2021 dos fundos das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e População (UNFPA). Deste total, 19% afirmaram não ter recursos financeiros para comprar absorventes, realidade conhecida como pobreza menstrual.
Essa condição compromete diretamente a saúde e a dignidade de mulheres, meninas e pessoas que menstruam, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. O problema vai além da falta de produtos: envolve também carência de saneamento básico, acesso à água potável, sabonetes e orientação sobre higiene íntima.
Em Pernambuco, uma iniciativa implementada pela Lei nº 18.258/2023 criou o Programa de Distribuição de Absorventes Gratuitos, destinado a estudantes da rede estadual de ensino. O programa também contempla pessoas em abrigos, unidades prisionais e instituições socioeducativas.
Dados divulgados em janeiro de 2024 apontam que mais de 450 mil absorventes foram distribuídos no estado desde a implementação da lei. A medida busca reduzir a evasão escolar causada pela menstruação: estima-se que, durante o ano letivo, alunas percam até 45 dias de aula por não disporem de produtos menstruais adequados.
Organizações como a Casa Menina Mulher, no Recife, destacam a importância do programa. Para a educadora Naara Tayani, além da distribuição de absorventes, é essencial promover a educação sobre o tema nas escolas, garantindo que adolescentes compreendam seus direitos e recebam apoio adequado.
Especialistas defendem que a menstruação deve ser abordada nas salas de aula de forma clara e sem estigmas, como parte da educação em saúde e cidadania. A pobreza menstrual, segundo elas, é uma questão de saúde pública e justiça social.
Fonte: pernambuconoticias.com.br













