Blog Caue Rodrigues

Mãe de Santo sofre intolerância religiosa em Afogados da Ingazeira

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Mãe de Santo sofre intolerância religiosa em Afogados da Ingazeira

A mãe de Santo, Mãe Tonha, da Organização Religiosa Templo de Oxum Opará, da cidade de Afogados da Ingazeira, acabou sendo vitima de intolerância  religiosa nesta segunda feira, após uma evangélica soltar áudios em grupos de Whatsapp.

Mãe Tonha é conhecida na cidade pelas ações beneficentes que realiza em prol dos mais carentes e pelo seu templo, no Bairro são Francisco. Em Agosto de 2024, realizou a maior marcha já vista na região em defesa da religião Umbandista, Relembre Clicando Aqui .

A surpresa de Mãe Tonha e de frequentadores do seu Templo veio quando uns áudios chegou até ela discriminando a sua religião como se fosse um ato demoníaco o que causou revolta na cidade.

No primeiro áudio, a autora do áudio pede que sua suposta amiga Claudete divulgar um video contra o ato do Templo Oxum Opará;

Ó irmã Claudete, vou gravar esse áudio aqui, que tô me arrumando pra ir pra igreja, ó irmã Claudete, divulga esse vídeo ai, que eu mandei aqui de Afogados da Ingazeira, da mulher de Aloisio, entendeu? Que tão dizendo ai que vão fazer a segunda marcha dos umbandistas, pra os crentes e seu grupo ficar em oração, pra igreja do Deus vivo se levantar em oração em um só proposito, nós se unir, nós como igreja do senhor Jesus, nós temos que se unir contra a obra do inferno, a obra do diabo, pra Jesus desfazer  obra do satanás, pra que em nome de Jesus, todo terreiro, toda casa de orixás, entendesse? Todo terreiro de macumbaria, de candomblé, de umbandista, do que for… magia negra, casa de orixá, em nome de Jesu agora vão ser  derrubada, fechada, queimada pelo fogo santo do senhor Jesus,, que toda obra do inferno seja quebrada e é desfeita pelo poder que há no nome de Jesus. A igreja reunida, unida, num só proposito nós venceremos as ostes do inferno, porque nós profetizamos e declaramos que Afogados da Ingazeira é do senhor Jesus, é do senhor dos exércitos, exu é o nome dele é o nome dele para todo sempre. Coloca ai nos seus grupos e envia pra teus contatos dos irmãos em Cristo Jesus, pra que a igreja se levante em oração e em jejum, pra Jesus desfazer a obra do diabo“.

Em um segundo áudio compartilhado por Claudete a autora do audio que ainda não foi identificada reafirma;

Irmã Claudete, isso é aqui em Afogados ó, Nice, a mulher de Aloisio, e os umbandistas ai ó, do Templo do Oxum… ta queimado em nome de Jesus. A igreja do Deus vivo tem que se levantar em um só propósito de oração e jejum pra Jesus fechar esses terreiro, essas casa de orixás, entendeu? Pra que toda ação do inferno seja quebrada em nome de Jesus, queimado, é um derrotado, a cidade é do senhor Jesus, profetizamos que Afogados é do senhor dos exércitos… a igreja tem que se levantar…”

Os áudios, na íntegra, foram enviados a Redação do Blog do Cauê Rodrigues.

O ódio praticado pela evangélica vem após ela saber que supostamente o Templo Oxum Opará realizará em 30 de Agosto, a 2ª Marcha Umbandista em Afogados da Ingazeira. A líder religiosa Mãe Tonha confecciona nesta terça feira, um Boletim de Ocorrência na Policia Civil.

A religião Oxum Opará, também conhecida como Òpárá ou Osún Òpárá, é uma divindade iorubá, frequentemente associada a Oxum, mas que é considerada uma entidade à parte pelos iorubásEla é a divindade dos rios e cachoeiras, e é conhecida por sua beleza, força e guerreira.

A Umbanda é uma religião brasileira de matriz africana, indígena e ocidental que se caracteriza pela crença em um Deus único (Olorum ou Zambi), na existência de espíritos e na atuação dos Orixás como intermediários entre o plano físico e o espiritual. É uma religião sincrética que incorpora elementos de diferentes tradições religiosas, incluindo o candomblé, o catolicismo e o espiritismo kardecista.

A intolerância religiosa é um crime no Brasil, com penas que variam dependendo da natureza da conduta. A Lei nº 7.716/1989, que criminaliza o racismo, também prevê penas para quem pratica discriminação ou preconceito religioso. A lei nº 14.532/2023, que equipara injúria racial ao racismo, também protege a liberdade religiosa e estabelece penas mais severas para crimes de intolerância religiosa.

No artigo 20 prevê pena de reclusão de um a três anos e multa para quem praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de religião. O mesmo artigo 20, em seu § 2º-B, prevê pena de um a três anos e multa para quem obstar, impedir ou empregar violência contra quaisquer manifestações ou práticas religiosas.

Fonte: blogdocauerodrigues.com.br